Zeus: O rei dos deuses da mitologia grega
Ao isentar-se dessas formas míticas e religiosas, o homem estaria no ápice de sua maturidade, segundo Augusto Comte (1798 – 1857), fundador do positivismo. Aliás, coube ao Positivismo as maiores críticas ao mito, o empobrecendo e principalmente, o reduzindo com relação à ciência, que se torna a partir daí a única forma do conhecimento verdadeiro. Porém, essa forte convicção em que só a ciência é capaz de guiar ao saber possível, pode resultar em outros mitos igualmente prejudiciais. Pra citar um exemplo, a tecnocracia, que é justamente o resultado maléfico do positivismo em sua forma mais ideológica.
Augusto Comte: o fundador do Positivismo
A importância do mito deve ser levada em consideração, não só por ser a primeira leitura do mundo, ou a base que formaria a compreensão do ser, mas pela herança que nos foi dada mesmo que culturalmente. Nossa imaginação guia tudo o que pensamos e queremos, e ela juntamente com os pressupostos míticos formou uma raiz para todos os trabalhos da razão.
Mas e o mito nos dias de hoje? Deixemos muitas das fórmulas que se baseiam os relatos para as religiões e as ideologias. O que importa aqui é evidenciar o que está no cotidiano de todos, até mesmo nos críticos. Muitas palavras que usamos são verdadeiros modelos universais que estão presentes na natureza inconsciente e primitiva de todos nós, como “liberdade”, “amor”, “saudade”, “prazer”, “mãe”, “lar”, etc. No cinema, por exemplo, é possível ver a luta entre o bem e o mal e um herói que possui poderes invejados por todo o homem moderno que sonha em superar sua própria impotência. A mídia faz com que atores, músicos, políticos, esportistas e outros se tornem verdadeiras representações de anseios como “sucesso”, “beleza”, “talento”. Algumas comemorações como aniversários, casamentos e formaturas funcionam como verdadeiros “rituais de passagem” que estão sempre presentes no dia-a-dia.
Gisele Bündchen: o arquétipo da mulher perfeita
As palavras que citei e os heróis do cinema são clássicos exemplos de arquétipos, ou seja, possuem valores universais que tem significações iguais para todos, em maior ou menor grau, assim como apresentei a figura dos artistas. Gisele Bündchen, por exemplo, é o arquétipo da mulher perfeita. É assim que nos é convencionado. Tudo isso é herança do pensamento mitológico e evidencia que passado tantos milênios, é possível encontrar ressonâncias míticas em todos nós.
É claro que o mito no homem contemporâneo não apresenta a mesma força que produz no homem primitivo, por questões óbvias. Também não tem como desmerecer a ciência e o pensamento racional, por questões igualmente óbvias (afinal eu me considero uma pessoa racional, até certo ponto). Reconheço que a reflexão permitiu que muitos dos mitos tidos como prejudiciais fossem contrariados, mas não por isso deveremos desmerecer o credo e a cultura dos antepassados gregos, hindus, indígenas, etc. Pois “a sabedoria é o equilíbrio. O mito propõe, mas cabe a consciência dispor” (Gusdorf in Mito e Metafísica).


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